E lá estava eu de novo.
Como um troféu pela fidelidade a tantos e tantos carnavais, lá estava eu em cima do caminhão da Bola Preta.
É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem. Estávamos lá de novo: eu e aquele mar de gente.
Quem sabe não é aquele o verdadeiro mar de fiéis?
Sempre soube o que faz alguém ir aos templos a procurar conforto, paz espiritual ou amenizar alguma dor. Mas, ficava me perguntando, que faz tanta gente ir à Avenida Rio Branco, outrora templo da folia carioca, em todos os sábados de carnaval, tão cedo, acordando àquela hora, tendo ido dormir tão tarde?
Que estarão buscando?
Quanta gente havia ali? 50 mil, 100...500 mil? Quem saberá?
Já houve tempo em que senti algo como “vergonha” por o carnaval carioca estar tão apático, sem blocos nas ruas, a reboque das escolas de samba, enquanto a velha Bahia, Recife, Olinda, explodiam de alegria.
Hoje a cidade dá a volta por cima. Blocos surgem a cada esquina, nascem como coelhos netos do Bafo, do Cacique e do Bohêmios; filhos do Simpatia, do Suvaco e do De
É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem. Segunda, do Barbas.
Todos iluminados pela Banda de Ipanema. Ela que resistiu em todos esses anos junto com o Bafo e com o Bola.
E lá estava eu de novo: mar de fiéis. E com de-co-ra-ção... tímida é verdade...mas, belo recomeço.
Nunca vi tanta tranqüilidade; não vi, lá de cima, um só empurrão. Por alguns momentos fiquei preocupado pelo fato de “estar vendo o chão” do asfalto e das calçadas da Rio Branco. Nos anos anteriores simplesmente não dava para ver o chão, só gente... gente para todo e para todos os lados.
Por todas aquelas ruas afluentes, todos aqueles braços daquele nosso mar.
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Obama estava lá, com aquele seu traje. Por pouco tempo. Já na Rua do Ouvidor, de toda sua roupa só restava a sunga e a gravata. E foi na Rua do Ouvidor que a rapaziada do maestro Sodré mandou o samba do Salgueiro que a homenageia.
É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem. Em baixo as fantasia mais improvisadas, salpicadas por trajes de gari. Que cidade é esta, que povo é este que transforma seu gari em celebridade do carnaval? Em personagem protagonista de sua festa maior?
Ou não será motivado por Renatinho Sorriso que tanta gente estava no Bola com roupa de gari?
Que outro lugar, que outra cidade, que outra festa?
Não duvido, a continuar assim, que algum menino surpreenda um dia sua família em pleno almoço de domingo: “não, mãe, quero ser gari para brilhar no carnaval!”.
É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem. E a cidade, a nossa cidade... como fica diferente vista assim.
Homenageando a Rua do Ouvidor a banda, o cordão, o Bola, enfim, homenageava toda aquela parte da cidade que a gente vê lá de cima. Aquelas mesmas ruas por onde andamos de segunda à sexta, por todos os anos, agora vestidas, enfeitadas pela sua banda mais querida.
Nós, somos nós que fazemos o mar.
É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem. E segue a folia quando toca “A Jardineira”. No meio da multidão, vê-se uma patrulhinha submersa, fazendo imaginar como será “Aquaticópolis”. Do meio da multidão pelas calçadas surge a figura do professor Felipe Ferreira. Ele tão “fiel” a isto tudo, ele referência para tantos e tantos de nós; ao ver sua alegria, ao vê-lo “se acabar” daquele jeito, não tive mais dúvidas do que tanta gente vai buscar ali.
Quanta energia, quanto alto astral a encher aqueles momentos de uma força tão grande que lamentamos não encontrar nos outros dias de folia. Dias de beleza, sim... de ritmos, de cores, belezas materiais e monumentais. Mas... É ali há uma beleza outra, uma beleza, um encantamento diferente em milhares de almas juntas, pessoas que vivem, nasceram ou não na mesma cidade, cantando a própria história que vivem e a de seus antepassados que brincaram o carnaval naquela avenida mágica que um dia dividiu a cidade até hoje partida.
E fico lamentando que Felipe e Renatinho Gari não estejam daqui de cima para ver o real tamanho da festa.
Fonte: O Dia online / Luiz Carlos Magalhães
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